"Tenho 22 anos, um diploma, um carro, uma boa situação financeira, um bom vigor sexual. Agora só falta explicar a mim mesmo o que significa tudo isso", escrevia um jovem americano, há uns 20 anos atrás, a Viktor Frankl, um psicológo-psiquiatra que viveu estudando o sentido da vida.Li essa frase e fiquei refletindo sobre a vida... Às vezes a gente sonha tanto em ter dinheiro, em obter objetos caros, em ter um ótimo emprego.. enfim, achamos que só vamos ser felizes quando realizarmos todos os nossos sonhos. Mas, será mesmo que estamos aqui só para isso? Será que isso é suficiente? Será que realmente vamos ser felizes quando obtivermos tudo o que desejamos?
E logo, minha mente me vêm cheia de perguntas sem respostas. Poxa, quem realmente sou, o que eu quero pra minha vida? Onde estão as pessoas que eu amo e que já partiram? Para onde eu vou????
Uma vez, eu estava com meu namorado em uma festa e, do nada, ele começou a fazer essas reflexões. Eu achei que ele tinha bebido além do que deveria e nem dei muita importância, rá. Mas, depois pude perceber que era apenas impressão minha, ele realmente estava analisando as pessoas da festa e se questionando em relação a isso, comecei, a partir daí, a refletir bastante sobre tal, mas depois de um tempo fui esquecendo, levando a vida, sem me dar conta que não estava sendo uma pessoa realmente autêntica. Mas, ultimamente, esses questionamentos voltaram e tem perturbado bastante minha mente especulativa. Sendo assim, resolvi dividir com vocês algumas angústias, que, com certeza, já afligiu e/ou aflige a todos.
Autenticidade. Afinal de contas, o que é ser uma pessoa autêntica? Se alguém me pedir um exemplo de pessoa autêntica, não sei quem eu iria indicar. Realmente, ser uma pessoa autêntica, no aqui e no agora, é o maior desafio. A meu ver, o sentido da vida está relacionado com a opção de vida, o estilo de vida. Não se trata de dar a ela qualquer sentido, e sim um sentido autêntico, capaz de responder aos anseios mais humanos e verdadeiros que estão dentro de nós. Muitas pessoas recorrem à religião para compreender o sentido do ser humano, do presente, da origem das coisas e as perspectivas para o futuro, além de acharem indispensável uma força maior que auxilie na resolução dos problemas e alimente suas respectivas esperanças. Os avanços tecnológicos, por sua vez, possibilitaram ao ser humano o acesso aos mais diversos tipos de informação, vindos dos mais diversos meios comunicativos. Todavia, não significa que isto leve a uma maior consciência. Toda essa velocidade com que se deram e se dão as mudanças, pode, inclusive, ter um efeito negativo, gerando angústias, crises e, conseqüentemente, a um elevado grau de estresse. Muitas vezes, nós nos deixamos levar pela força coercitiva (pressão) e inconsciente da mídia, causando pois, uma superficialidade quando se trata das questões mais profundas da existência humana, num mundo cada vez mais voltado para lógica do mercado, cuja preocupação com a vida praticamente desaparece, visando unicamente o lucro, a preocupação de querer levar vantagem em tudo, situação que acaba sendo transferida para as relações intersubjetivas. A alienação, principalmente entre os adolescentes, é predominante. Somos induzidos a sempre agir para sermos aceitos nos diversos grupos, a agir como os outros querem e não como realmente queremos, mas isso se dá de forma muito imperceptível. Entretanto, temos que enxergar muito além desses discursos ideológicos, temos que ver além das aparências, temos que criar senso crítico, o "ser" de modo algum é possível sem total adesão, consciência, sem uma opção profunda e clara. Desse modo, ou se "é" ou acaba por "tornar-se". Retomando ao pontapé inicial, sei que é impossível responder a todas as minhas perguntas, muitas delas são mistérios. Entretanto, há algo por fazer, que depende de nós, buscar um sentido para nossas vidas, sendo uma criatura humana que cresce em todas as dimensões, consciente do lugar de onde se fala, para além do tempo, projetando a vida na expectativa de que, ao chegar ao final da caminhada terrena e olhar para trás, alegremente se possa dizer: viver não foi em vão.


